Pular para o conteúdo
Rikezas
Investimentos

Como começar a investir com pouco dinheiro, sem cair em armadilha

Primeiro a dívida cara, depois a reserva, só então o investimento. E por que R$ 100 por mês já fazem diferença.

Equipe Rikezas · 8 min de leitura
Capa com a frase "Pouco, mas todo mês", sobre como começar a investir com pouco dinheiro
Neste artigo
  1. Como começar a investir: a ordem antes do primeiro aporte
  2. Quanto é preciso para começar
  3. O primeiro investimento
  4. Como seguir mês a mês
  5. Armadilhas e golpes
  6. Perguntas frequentes

Muita gente adia o assunto porque acha que investir é coisa de quem já tem dinheiro sobrando. Espera juntar R$ 5 mil, depois R$ 10 mil, e o momento certo nunca chega. Saber como começar a investir com pouco é mais simples do que parece, mas tem uma ordem. Quem pula etapas costuma pagar caro: investe com uma mão e paga juros de cartão com a outra.

A seguir, a sequência que evita esse erro, quanto dinheiro é preciso de fato, onde fazer o primeiro aporte e como reconhecer as armadilhas que miram justamente quem está começando.

Como começar a investir: a ordem antes do primeiro aporte

Antes de escolher qualquer investimento, organize três coisas, nesta ordem. Cada etapa protege a seguinte.

1. Quite as dívidas caras

Nenhuma aplicação comum rende o que uma dívida cara cobra. Veja um exemplo com números redondos: uma dívida de R$ 2.000 a 8% ao mês gera R$ 160,00 de juros em um único mês. Os mesmos R$ 2.000 investidos com uma premissa de 10% ao ano (0,80% ao mês) rendem R$ 15,95 no mesmo período. A dívida cobra dez vezes mais do que o investimento entrega.

Em um ano, 8% ao mês viram 152% ao ano. Se ninguém pagar nada, os R$ 2.000 acumulam R$ 3.036 só de juros. Por isso, pagar uma dívida cara é, na prática, o investimento de maior retorno disponível: cada real que você tira dela deixa de pagar aquela taxa.

Cartão de crédito rotativo, cheque especial e empréstimos pessoais sem garantia costumam estar no topo da lista. Se você tem mais de uma dívida, o artigo sobre quais dívidas pagar primeiro mostra como decidir a ordem. Dívidas baratas, como um financiamento imobiliário com taxa baixa, não precisam ser quitadas antes de começar: basta mantê-las em dia.

2. Monte a reserva de emergência

A reserva é o dinheiro que cobre os gastos do mês se a renda parar ou se aparecer uma despesa que não dá para adiar. Sem ela, qualquer imprevisto obriga você a resgatar investimentos na hora errada ou, pior, a voltar para o cartão.

Para quem gasta R$ 2.500 por mês, três meses de gastos são R$ 7.500 e seis meses, R$ 15.000. Parece muito para quem começa, mas não precisa estar completa para você avançar. Guardando R$ 300 por mês, os três primeiros meses de proteção ficam prontos em 25 meses. Ela deve ficar em aplicação segura e de resgate rápido. Os detalhes estão em quantos meses guardar na reserva de emergência.

3. Invista para o longo prazo

Só com a dívida cara resolvida e uma reserva mínima de pé faz sentido pensar em prazos longos: aposentadoria, independência financeira, a compra de um imóvel daqui a dez anos. É aqui que entram aplicações com mais oscilação ou com prazo de resgate maior.

A reserva também é investimento. Quem está montando a reserva já está investindo. O dinheiro sai da conta corrente, vai para uma aplicação e rende. A diferença é o objetivo: proteção, não crescimento.

Quanto é preciso para começar

Menos do que a maioria imagina. Títulos públicos do Tesouro Direto podem ser comprados em frações, e o valor mínimo costuma ser baixo, porque depende do preço de cada título no dia. Como esse valor muda, confira o mínimo atual de cada título no site oficial do Tesouro Direto antes de aplicar. Muitas aplicações de renda fixa de bancos e corretoras também aceitam valores pequenos.

O que pesa no resultado não é o primeiro aporte, e sim a soma dos aportes ao longo dos anos. Veja o efeito de investir todo mês, com uma premissa de retorno de 10% ao ano:

Aporte mensalPrazoTotal aportadoSaldo projetado
R$ 1005 anosR$ 6.000R$ 7.656
R$ 10010 anosR$ 12.000R$ 19.986
R$ 10020 anosR$ 24.000R$ 71.826
R$ 3005 anosR$ 18.000R$ 22.968
R$ 30010 anosR$ 36.000R$ 59.959
R$ 30020 anosR$ 72.000R$ 215.478
Premissa de 10% ao ano (0,80% ao mês), antes de imposto e inflação. É uma projeção, não promessa: o rendimento real varia.

Repare na linha de 20 anos com R$ 100: dos R$ 71.826 projetados, R$ 47.826 são rendimento. Nos primeiros anos os juros quase não aparecem; depois passam a responder pela maior parte do crescimento. É por isso que o tempo pesa tanto, e o tempo só começa a contar a partir do primeiro aporte.

Começar pequeno ou esperar para começar grande?

Compare duas pessoas, com a mesma premissa de 10% ao ano e um horizonte de 10 anos. A primeira começa hoje com R$ 100 por mês e, depois de dois anos, passa para R$ 300. A segunda espera dois anos para começar, já com R$ 300.

QuemTotal aportadoSaldo em 10 anos
Começa já com R$ 100 e sobe para R$ 300R$ 31.200R$ 48.669
Espera 2 anos e começa com R$ 300R$ 28.800R$ 43.024
Premissa de 10% ao ano, aportes no fim de cada mês.

Quem começou pequeno colocou R$ 2.400 a mais do próprio bolso e terminou com R$ 5.645 a mais. Mais importante do que a diferença em reais: chegou ao terceiro ano com o hábito formado, sabendo abrir conta, aplicar e acompanhar.

O primeiro investimento

Não existe um primeiro investimento certo para todo mundo, e este texto não indica produtos. Mas existem critérios que ajudam quem está começando a não errar no básico.

  1. Comece pelo que você entende. Se não consegue explicar em uma frase de onde vem o rendimento, ainda não é hora de aplicar ali.
  2. Prefira liquidez no começo. Aplicações com resgate rápido servem à reserva e evitam que você fique preso a um prazo que não combina com a sua vida.
  3. Olhe o risco de quem deve. Em renda fixa, você empresta dinheiro a alguém: ao governo, no caso dos títulos públicos, ou a um banco, no caso de aplicações bancárias. Saber quem é o devedor e qual garantia existe faz parte da escolha.
  4. Confira os custos. Taxa de custódia, taxa de administração e imposto de renda mudam o resultado final. Verifique as regras vigentes em cada aplicação antes de investir.

Por esses critérios, títulos públicos costumam aparecer na lista de quem está começando: são emitidos pelo governo federal, comprados por uma corretora e acompanhados no site do Tesouro Direto. O artigo sobre o Tesouro Direto, o que é e como funciona explica os tipos de título e como cada um rende.

O passo a passo do primeiro aporte

  1. Abra a conta em um banco ou corretora autorizados a funcionar. O cadastro é feito pelo celular, com documento e comprovante de endereço.
  2. Responda o perfil de investidor. O questionário pergunta prazo, objetivo e quanto de oscilação você aceita. Responda com sinceridade: ele limita o que a instituição pode oferecer a você.
  3. Transfira o valor da sua conta para a conta da corretora, sempre em seu nome.
  4. Escolha a aplicação pelos critérios acima e leia as condições: prazo, liquidez, custos e quem é o devedor.
  5. Anote o que fez. Data, valor e onde aplicou. No mês seguinte, repita.

Ações, fundos imobiliários e outros investimentos de renda variável podem entrar depois, quando a reserva estiver pronta e você entender que o valor pode cair por meses ou anos. Começar por eles com o dinheiro da reserva é uma das formas mais comuns de perder a vontade de investir logo no início.

Como seguir mês a mês

Dar o primeiro passo é a parte fácil. O resultado vem de repetir o aporte por anos, inclusive nos meses sem vontade. Três hábitos sustentam isso:

  • Invista no dia em que o salário cai. O que fica para o fim do mês quase nunca sobra. Trate o aporte como uma conta fixa.
  • Automatize. Programe a transferência e, se a corretora permitir, o investimento recorrente. Assim o aporte não depende de memória.
  • Reduza em vez de cancelar. No mês apertado, investir R$ 50 mantém o hábito vivo. Quando a renda subir, aumente o valor.

O sistema completo, com o “pague-se primeiro” e a regra para aumentar o aporte a cada aumento de renda, está no artigo sobre como investir todo mês.

Uma vez por mês, confira quanto entrou de fato na carteira e compare com o que você planejou. No Rikezas, você registra o aporte real no fechamento do mês e vê, no mesmo lugar, as dívidas diminuindo e o patrimônio líquido subindo. Para quem está começando, ver a ordem funcionando, dívida caindo e reserva crescendo, é o que mantém a motivação.

Armadilhas e golpes

Quem está começando é o alvo preferido de golpes, porque ainda não tem referência do que é um retorno normal. A regra de ouro é simples: se parece bom demais para ser verdade, é golpe.

Retorno alto e garantido

Retorno alto e garantido ao mesmo tempo não existe. Faça a conta de uma promessa comum de pirâmide, 1% ao dia: em 30 dias, isso daria 34,8% ao mês, e R$ 1.000 virariam R$ 37.783 em um ano. Nenhum negócio real paga isso. O dinheiro dos primeiros participantes sai do dinheiro dos que entram depois, até o esquema quebrar.

Pressa e segredo

“Últimas vagas”, “só hoje”, “não conte para ninguém”: urgência é ferramenta de golpista, porque impede você de pesquisar. Investimento sério continua disponível amanhã.

Pix para pessoa física e empresa sem registro

Em um investimento de verdade, o dinheiro vai para a sua conta numa instituição autorizada, em seu nome, e não para a conta de um “gestor”. Antes de aplicar, confira se a empresa é autorizada pelo Banco Central ou pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Desconfie também de perfis em redes sociais que mostram ganhos diários e oferecem “mentoria” para replicar.

Armadilhas que não são golpe

Algumas armadilhas são legais, mas custam caro. Investir enquanto paga juros de cartão é a principal delas. Outra é aplicar a reserva em algo que oscila ou que só permite resgate daqui a anos. A terceira é trocar de investimento toda semana atrás do que rendeu mais no mês passado. Rendimento passado não garante rendimento futuro, e cada troca pode ter custo e imposto.

Seguindo a ordem, com um valor que caiba no orçamento e um pouco de desconfiança saudável, você já está à frente da maioria. O resto é repetição.

Perguntas frequentes

Com quanto dinheiro dá para começar a investir?

Com pouco. Títulos do Tesouro Direto podem ser comprados em frações e muitas aplicações de renda fixa aceitam valores baixos; o mínimo de cada título muda com o preço e aparece no site oficial do Tesouro Direto. Mais importante que o valor inicial é investir todo mês.

Qual o melhor investimento para iniciante?

Não existe um melhor para todos, porque depende do objetivo e do prazo. Para quem começa, faz sentido priorizar aplicações seguras e de resgate rápido até completar a reserva de emergência. Depois, dá para diversificar com calma, sempre entendendo de onde vem o rendimento.

Vale a pena investir R$ 100 por mês?

Vale. Com uma premissa de 10% ao ano, R$ 100 por mês por 20 anos somam R$ 24.000 aportados e um saldo projetado de R$ 71.826. Além do dinheiro, você cria o hábito, e o valor tende a subir junto com a renda.

Compartilhar: WhatsApp Copiar link
Equipe Rikezas

Escrevemos sobre patrimônio, dívidas e independência financeira com exemplos em números. O conteúdo é educativo e não é recomendação de investimento.

Agora que você sabe calcular, deixe o Rikezas fazer isso todo mês

Patrimônio líquido, dívidas, orçamento e o ano da sua independência, num lugar só.

Criar conta grátis