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Método avalanche: por que pagar a dívida mais cara primeiro

A regra simples que faz você pagar menos juros: ordenar as dívidas pela taxa e atacar a mais cara primeiro.

Equipe Rikezas · 5 min de leitura
Infográfico: dívidas ordenadas pela taxa, do cartão a 280% ao ano ao consignado a 14%
Neste artigo
  1. Como funciona
  2. As dívidas da Ana
  3. Como transformar taxa ao ano em taxa ao mês
  4. Simulação: quanto tempo para quitar o cartão
  5. Avalanche ou bola de neve?
  6. Outras saídas para dívidas caras
  7. Perguntas frequentes

Quem tem mais de uma dívida costuma pagar todas um pouco por mês, sem critério. Parece justo, mas sai caro: enquanto você divide o esforço igualmente, a dívida mais cara continua cobrando juros altos sobre um saldo que quase não diminui.

O método avalanche resolve isso com uma regra simples: ordenar as dívidas pela taxa de juros e atacar uma de cada vez, da mais cara para a mais barata.

Como funciona

  1. Liste todas as dívidas com saldo devedor, taxa de juros e parcela.
  2. Ordene pela taxa de juros, da maior para a menor. Compare sempre a mesma unidade: ao ano com ao ano, ao mês com ao mês.
  3. Pague a parcela mínima de todas, para não gerar multa nem atraso.
  4. Coloque todo o dinheiro extra na primeira da lista. Amortizações, sobras do mês, décimo terceiro.
  5. Quando ela acabar, passe para a próxima, somando a parcela que ficou livre ao valor extra. O pagamento vai ganhando força, como uma avalanche.

As dívidas da Ana

A Ana deve R$ 45.000 no total, em três dívidas. Ordenadas pela taxa:

DívidaSaldoTaxa ao anoParcelaJuros no mês
Cartão de créditoR$ 8.000280%R$ 300R$ 941,40
Financiamento do carroR$ 22.00022%R$ 900R$ 367,60
ConsignadoR$ 15.00014%R$ 600R$ 164,69
TotalR$ 45.00065,2%R$ 1.800R$ 1.473,68
Na linha do total, a taxa de 65,2% ao ano é a média ponderada pelo saldo de cada dívida.

O cartão é só 18% do que ela deve, mas responde por 64% dos juros do mês. E tem um problema maior: a parcela de R$ 300 não cobre nem os R$ 941,40 de juros. A diferença, R$ 641,40, entra no saldo. A Ana paga em dia e, mesmo assim, deve mais a cada mês.

Parcela menor que os juros é alarme vermelho. Quando isso acontece, a dívida não tem fim: o saldo cresce todo mês. Essa dívida vai para o topo da lista, antes de qualquer investimento.

Como transformar taxa ao ano em taxa ao mês

Bancos às vezes informam a taxa ao mês, outras vezes ao ano. Para comparar, converta tudo para a mesma base. A conta não é dividir por 12, porque os juros são compostos:

(1 + taxa ao ano) elevado a 1/12 − 1 = taxa ao mês

Os 280% ao ano do cartão viram cerca de 11,8% ao mês. Os 22% do carro, cerca de 1,67% ao mês. Os 14% do consignado, cerca de 1,10%. Os juros do mês são o saldo vezes a taxa mensal: R$ 8.000 × 11,77% dá os R$ 941,40 da tabela.

Simulação: quanto tempo para quitar o cartão

Suponha que a Ana pause os R$ 1.400 que hoje investe todo mês e coloque esse valor no cartão, junto com a parcela de R$ 300. São R$ 1.700 por mês contra a dívida mais cara:

MêsSaldo depois do pagamento
1R$ 7.241
2R$ 6.394
3R$ 5.446
4R$ 4.387
5R$ 3.203
6R$ 1.880
7R$ 401
8quitado (último pagamento de R$ 448)
Juros de 11,77% ao mês sobre o saldo, pagamento de R$ 1.700 no fim de cada mês.

Em oito meses a dívida acaba, com cerca de R$ 4.350 pagos em juros no caminho. A partir do nono mês, os R$ 1.700 ficam livres: ela volta a investir os R$ 1.400 e soma os R$ 300 da parcela antiga ao pagamento do financiamento do carro, a próxima da fila.

Uma alternativa que muita gente considera é usar parte da reserva de emergência para quitar a dívida de uma vez. A Ana tem R$ 40.000 guardados: usar R$ 8.000 zera os juros do cartão na hora, e a reserva é recomposta nos meses seguintes com os R$ 1.700 que iriam para a fatura. O cuidado é não ficar sem proteção nenhuma. Veja quantos meses de reserva manter.

Avalanche ou bola de neve?

O método bola de neve ordena as dívidas pelo menor saldo, e não pela maior taxa. A ideia é ganhar ânimo quitando uma dívida inteira logo no começo. Matematicamente, a avalanche sempre paga menos juros ou empata. A bola de neve pode funcionar melhor para quem precisa de vitórias rápidas para não desistir.

No caso da Ana, os dois métodos começam pelo mesmo lugar: o cartão é a dívida mais cara e também a de menor saldo. A diferença aparece depois. Pela avalanche, a próxima é o carro (22% ao ano). Pela bola de neve, seria o consignado, que tem saldo menor (R$ 15.000) mas juros de 14%.

Outras saídas para dívidas caras

  • Trocar dívida cara por barata. Um empréstimo com juros menores, usado só para quitar o cartão, reduz o custo. Só funciona se o cartão não voltar a ser usado além do que cabe no mês.
  • Renegociar. Bancos costumam oferecer condições melhores para quitar à vista ou parcelar com juros menores, principalmente em mutirões de negociação.
  • Portabilidade de crédito. Financiamentos e consignados podem ser levados para outro banco que cobre menos, sem custo para você.

Antes de qualquer troca, compare o custo efetivo total (CET), que inclui tarifas, seguros e impostos, e não só a taxa de juros anunciada.

No Rikezas, você cadastra cada dívida com saldo, taxa ao ano e parcela. O app ordena a lista pelo método avalanche, calcula os juros do mês e a taxa média, marca com “Estancar primeiro” a dívida cuja parcela não cobre os juros e sugere a parcela mínima para o saldo parar de crescer. O simulador de quitação mostra quantos meses e quanto de juros você economiza com um valor extra por mês.

Perguntas frequentes

Vale a pena investir enquanto tenho dívidas?

Depende da taxa. Dívidas mais caras do que qualquer investimento comum, como cartão e cheque especial, costumam vir antes. Dívidas baratas, como alguns financiamentos imobiliários, podem conviver com investimentos.

E se duas dívidas tiverem a mesma taxa?

Comece pela de menor saldo. Ela acaba antes e libera a parcela para a próxima.

Amortizar reduz a parcela ou o prazo?

Em financiamentos você costuma poder escolher. Reduzir o prazo economiza mais juros; reduzir a parcela alivia o orçamento do mês. Na avalanche, o mais comum é reduzir o prazo.

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