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Portabilidade de consignado vale a pena? Como fazer a conta

Saldo, parcela e prazo revelam a taxa que você paga hoje. Compare com a proposta pelo total, não pela parcela.

Equipe Rikezas · 8 min de leitura
Capa com a frase "Taxa menor, total menor" sobre a portabilidade de consignado e a conta que compara o contrato de hoje com a proposta.
Neste artigo
  1. O que é portabilidade
  2. Como descobrir sua taxa real
  3. A conta da portabilidade: consignado hoje x proposta
  4. A armadilha do prazo maior
  5. Passo a passo para pedir
  6. Perguntas frequentes

Tem gente pagando a mesma taxa alta no consignado há anos sem saber que pode levar a dívida para outro banco. O nome disso é portabilidade. Consignado não é contrato para a vida toda com o mesmo credor: se outro banco cobra menos, ele pode quitar o saldo no banco atual e você passa a pagar a ele. Mas a pergunta “vale a pena?” não se responde com palpite nem com a parcela que o gerente oferece. Ela se responde com uma conta, e é essa conta que você vai aprender aqui.

O que é portabilidade

Portabilidade de crédito é a transferência de uma dívida de um banco para outro. O novo banco paga ao banco de origem o saldo devedor do seu contrato, o contrato antigo é encerrado e nasce um novo, com o novo banco, para pagar aquele mesmo saldo. Nenhum dinheiro passa pela sua mão. O que muda é para quem você paga, e a que taxa.

A regra está na Resolução CMN 5.057/2022, alterada pela Resolução CMN 5.265/2025, conferida no site do Banco Central em 12/10/2026. Os pontos que importam para quem tem consignado:

  • O banco de origem não pode recusar. Ele deve garantir a portabilidade quando o cliente pede e o novo banco transfere os recursos (art. 3º).
  • Sem custo para você. Os custos de troca de informações e de transferência entre os bancos não podem ser repassados ao cliente (art. 15). O banco de origem pode cobrar um ressarcimento do novo banco, mas esse valor também não pode ser repassado a você (art. 16).
  • Prazo do banco de origem. Ele deve pedir os recursos ao novo banco em até 5 dias úteis quando a troca de informações é pelo sistema eletrônico de registro, ou em até 3 dias úteis quando é pelo Open Finance (art. 8º).
  • Limites da nova operação. O valor e o prazo do novo contrato não podem passar do saldo devedor e do prazo que falta no contrato atual (art. 6º). Se a parcela nova ficar maior, você precisa concordar de forma expressa.

Esse último ponto é importante: portabilidade é trocar a taxa, não pegar dinheiro novo nem alongar a dívida. Uma proposta que entrega “troco” ou estica o prazo além do que falta já é outra operação, com outras regras. Se o seu consignado é do INSS, há também regras próprias do instituto; confira as vigentes nos canais oficiais do INSS no gov.br antes de pedir.

Como descobrir sua taxa real

Para comparar com qualquer proposta, você precisa saber quanto paga hoje. E a taxa que vale não é a que está no contrato assinado anos atrás: é a que liga, agora, o que você ainda deve às parcelas que faltam. Três números bastam, e todos estão no contracheque ou no aplicativo do banco:

  1. Saldo para quitar hoje: quanto o banco pede para encerrar o contrato agora. Aparece como “saldo devedor” ou “valor para liquidação”.
  2. Parcela: o desconto mensal do consignado.
  3. Parcelas que faltam: só as que ainda vão ser descontadas, não o prazo total.

Com eles, a conta é a do sistema Price: procura-se a taxa mensal que faz as parcelas que faltam, trazidas para hoje, valerem exatamente o saldo para quitar. Não existe fórmula direta para essa taxa; ela sai por tentativa, chegando cada vez mais perto do valor certo. O passo a passo está em como calcular os juros do consignado, e o motivo de essa taxa costumar ser diferente da que o banco anuncia está em qual é a taxa real do seu consignado.

Na prática, você não precisa fazer a tentativa à mão. A calculadora de consignado do Rikezas pede esses três números, é gratuita e não guarda nada do que você digita. O uso dela, campo por campo, está explicado no artigo sobre a calculadora de consignado.

Veja um caso concreto. Um consignado com saldo para quitar de R$ 30.000, parcela de R$ 1.060 e 48 parcelas pela frente. A taxa que fecha essa conta é de 2,40% ao mês, ou 33,0% ao ano. Só no próximo mês, R$ 720,95 da parcela são juros.

Taxa acima de 3% ao mês é sinal para olhar a portabilidade. 3% ao mês equivalem a 42,6% ao ano, um patamar alto para uma dívida descontada direto da folha. Se a sua taxa real passa disso, vale pedir propostas.

A conta da portabilidade: consignado hoje x proposta

Suponha que outro banco ofereça quitar os R$ 30.000 com taxa de 1,85% ao mês (24,6% ao ano), no mesmo prazo de 48 meses. A parcela nova sai pela mesma conta do sistema Price. Lado a lado:

ItemHojeProposta
SaldoR$ 30.000R$ 30.000
Taxa ao mês2,40%1,85%
Taxa ao ano33,0%24,6%
Parcelas4848
ParcelaR$ 1.060,00R$ 948,44
Juros até o fimR$ 20.880,00R$ 15.525,25
Total a pagarR$ 50.880,00R$ 45.525,25
Sistema Price. A taxa de hoje foi calculada a partir do saldo, da parcela e do prazo.

A parcela cai R$ 111,56 por mês, e o total a pagar cai R$ 5.354,75. Como o prazo é o mesmo, a parcela menor e o total menor apontam para o mesmo lado. Nesse caso, a portabilidade vale a pena sem discussão.

Há ainda uma variação que muita gente não considera: manter a parcela de R$ 1.060 com a taxa nova. A 1,85% ao mês, os R$ 30.000 ficam quitados em 41 meses, com a última parcela de R$ 478,16. São sete meses a menos de desconto no contracheque. Como o prazo encurta e a parcela não aumenta, essa versão também respeita os limites da portabilidade.

O que comparar além da taxa

Peça a proposta por escrito, com o custo efetivo total (CET), que inclui tarifas, seguros e impostos, e não só a taxa de juros. Confira se o saldo que o novo banco vai quitar é o mesmo que o seu banco informou, e se o número de parcelas não passou do que falta. Se algum seguro foi incluído sem você pedir, pergunte se ele é obrigatório. Compare sempre o total a pagar, nunca só a parcela.

A armadilha do prazo maior

Agora imagine que a oferta venha assim: “a mesma taxa de 1,85%, mas em 84 parcelas, e a sua parcela cai para R$ 706,49”. É uma redução de R$ 353,51 por mês, o tipo de número que convence no telefone. Veja o que acontece com o total:

CenárioParcelaParcelasTotal a pagar
Hoje, 2,40% ao mêsR$ 1.060,0048R$ 50.880,00
Proposta, 1,85% em 48 mesesR$ 948,4448R$ 45.525,25
Oferta, 1,85% em 84 mesesR$ 706,4984R$ 59.344,98
Mesmo saldo de R$ 30.000 nos três cenários.

Com a taxa menor e o prazo maior, você paga R$ 8.464,98 a mais do que se ficasse onde está, e R$ 13.819,73 a mais do que na proposta de 48 meses. São 36 meses extras de desconto em folha. Os juros totais vão de R$ 20.880 para R$ 29.344,98, porque o saldo fica devendo por muito mais tempo.

Para esticar até 84 meses e ainda empatar com o total de hoje, a taxa teria de cair para cerca de 1,38% ao mês. Qualquer coisa acima disso, nesse prazo, sai mais cara do que não fazer nada.

Pela resolução, a portabilidade não pode ter prazo maior que o que falta no contrato. Por isso, uma oferta como essa costuma vir embalada como refinanciamento ou empréstimo novo, às vezes com um “troco” depositado na conta. Pode até fazer sentido para quem está sem fôlego no mês, mas aí a decisão é outra: você está trocando alívio hoje por uma dívida maior no total. Faça essa escolha sabendo o número, não por causa dele.

A pergunta certa é sobre o total. Antes de aceitar qualquer proposta, pergunte: quantas parcelas, de quanto, e quanto vou pagar no total? Se o total subir, a parcela menor está sendo paga por você mesmo, mais à frente.

Passo a passo para pedir

  1. Junte os números do contrato atual. Peça ao seu banco o saldo devedor atualizado e confira a parcela e as parcelas que faltam. Guarde o número do contrato.
  2. Calcule a sua taxa real. Com saldo, parcela e prazo, descubra quanto você paga hoje ao mês e ao ano.
  3. Peça propostas a outros bancos. Informe o saldo e o prazo que falta. Peça a taxa, o CET, a parcela e o número de parcelas por escrito.
  4. Compare o total a pagar. Monte a mesma tabela de cima: hoje x proposta. Desconfie de qualquer proposta com prazo maior que o atual ou com dinheiro extra.
  5. Formalize o pedido com o banco que fez a proposta. Você não precisa quitar nada antes: é o novo banco que transfere os recursos ao banco de origem.
  6. Avalie a contraproposta, se vier. O seu banco atual pode tentar segurar você com uma condição melhor. Compare do mesmo jeito: total a pagar, mesmo prazo.
  7. Confira o encerramento. Depois da transferência, o contrato antigo deve sair do contracheque e o novo entrar. Guarde o documento que comprova a portabilidade.

Sobre a contraproposta: quando o pedido corre pelo Open Finance, a Resolução Conjunta nº 15, de 28/11/2025, permite que o banco de origem ofereça contrapropostas antes da liquidação. A mesma norma garante que você pode desistir a qualquer momento antes da liquidação e que deve ser informado do andamento do pedido. E, pela Resolução 5.057, se você desistir, o banco de origem tem até 2 dias úteis para avisar o novo banco.

Depois que o dinheiro é transferido, a Resolução 5.057 dá ao banco de origem até 2 dias úteis para confirmar o recebimento e mais até 2 dias úteis para enviar o documento que comprova a portabilidade.

Depois da troca, vale acompanhar o contrato novo mês a mês. No app, o Rikezas calcula a taxa real de cada dívida a partir do saldo, da parcela e do prazo, mostra o cronograma até a última parcela e avisa quando a taxa passa de 3% ao mês. Assim, se você tiver mais de um consignado, fica claro qual deles merece a próxima portabilidade.

Perguntas frequentes

A portabilidade de consignado tem custo?

Não para você. Pela Resolução CMN 5.057/2022, os custos de troca de informações e de transferência entre os bancos não podem ser repassados ao cliente, e o ressarcimento que o banco de origem cobra do novo banco também não. Mesmo assim, confira o CET da proposta: tarifas e seguros da nova operação entram nele.

Quanto tempo leva a portabilidade?

Depende da análise do novo banco, mas a resolução fixa prazos para o banco de origem. Ele tem até 5 dias úteis para pedir os recursos ao novo banco quando a troca de informações é pelo sistema eletrônico de registro, ou até 3 dias úteis pelo Open Finance. Depois da transferência, tem até 2 dias úteis para confirmar o recebimento e até 2 dias úteis para enviar o comprovante.

O banco pode recusar a portabilidade?

O banco de origem, não: ele deve garantir a portabilidade quando você pede e o novo banco transfere os recursos. O que pode acontecer é o novo banco não aprovar a proposta, porque a análise de crédito é dele. O banco de origem também pode fazer uma contraproposta, que você aceita ou não.

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Equipe Rikezas

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