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13º salário: antecipar, guardar ou quitar dívida? A conta que decide

As datas do 13º, quanto custa antecipar no banco e a conta simples que mostra onde esse dinheiro rende mais.

Equipe Rikezas · 9 min de leitura
Capa com a frase "13º contra a dívida", sobre usar o décimo terceiro salário para quitar dívidas
Neste artigo
  1. Como o 13º é pago (datas e as duas parcelas)
  2. Antecipar 13 salário: o que é e quanto custa
  3. As três opções para o 13º
  4. A conta que decide: taxa da dívida x rendimento do investimento
  5. Uma divisão possível quando há dívida e não há reserva
  6. Como ver o efeito no seu caso
  7. Perguntas frequentes

Dezembro chega, o 13º cai na conta e, uma semana depois, já sumiu entre presentes, ceia e contas atrasadas. Outros nem esperam dezembro: em setembro já estão pesquisando como antecipar 13 salário no banco. Nos dois casos, o dinheiro vai embora sem que ninguém faça uma conta simples, que leva cinco minutos e mostra onde aqueles reais rendem mais.

Essa conta compara duas taxas: a que a sua dívida cobra e a que um investimento paga. Na maioria dos casos, ela aponta para o mesmo lugar: a dívida mais cara. A seguir, as datas do pagamento, o custo de antecipar, as três opções para o dinheiro e um exemplo com R$ 3.000 de 13º contra uma dívida de 1,79% ao mês.

Como o 13º é pago (datas e as duas parcelas)

Para quem trabalha com carteira assinada, o 13º salário segue a Lei 4.749, de 1965. Ela divide o pagamento em duas partes:

  • Primeira parcela, até 30 de novembro. É um adiantamento de metade do salário do mês anterior. A lei permite que a empresa pague entre fevereiro e novembro, e o empregado pode pedir para receber junto com as férias, desde que faça o pedido em janeiro.
  • Segunda parcela, até 20 de dezembro. É o restante do 13º, já descontado o que foi adiantado na primeira.

Na prática, a segunda parcela costuma vir menor que a primeira, porque é nela que aparecem os descontos. Confira o valor líquido no seu holerite antes de planejar: é ele, e não o salário bruto, que entra na conta.

Saber as datas ajuda em duas coisas. A primeira é planejar com o dinheiro que vai de fato chegar, e não com o que você imagina. A segunda é entender o que o banco faz quando oferece a antecipação: ele adianta um dinheiro que você já ia receber, e cobra por isso.

Antecipar 13 salário: o que é e quanto custa

É um empréstimo, não um adiantamento grátis

A antecipação do 13º oferecida pelos bancos não tem nada a ver com a primeira parcela que a empresa paga. É um empréstimo: o banco libera o dinheiro hoje e, quando o 13º cai, fica com ele para quitar a dívida. Como todo empréstimo, tem juros, e às vezes IOF e tarifas.

Veja um exemplo com uma taxa de premissa. Suponha 13º de R$ 3.000, antecipado três meses antes, a 2,5% ao mês. Como o banco vai receber R$ 3.000 no fim, ele libera hoje um valor menor: R$ 2.785,80. A diferença, R$ 214,20, é o custo da antecipação. Você recebe menos e paga com o 13º inteiro.

Esse custo não inclui IOF nem tarifas, que encarecem a operação. Antes de aceitar qualquer proposta, peça o custo efetivo total (CET), que soma tudo. É o único número que permite comparar uma oferta com outra.

Quando faz sentido (dívida mais cara que a antecipação)

Antecipar só compensa quando o dinheiro vai quitar uma dívida que cobra mais do que a própria antecipação. No mesmo exemplo, com os R$ 2.785,80 liberados:

  • Dívida de 1,79% ao mês. Quitá-la três meses antes evita R$ 152,29 de juros. A antecipação custou R$ 214,20. Você sai R$ 61,91 no prejuízo.
  • Dívida de 8% ao mês, como um cartão em atraso. Quitá-la três meses antes evita R$ 723,51 de juros. Descontado o custo, sobram R$ 509,30 a favor.

A regra é direta: compare a taxa da antecipação com a taxa da dívida que ela vai quitar. Se a antecipação for mais barata, ela troca uma dívida cara por uma barata e encurta o tempo de juros altos. Se for mais cara, ou se o dinheiro for para consumo, você só paga para gastar antes.

Antecipar para gastar é o pior uso. Se a antecipação vira presente ou viagem, você paga juros para consumir mais cedo e chega a dezembro sem o 13º, que já ficou com o banco.

As três opções para o 13º

Tirando os gastos de fim de ano que já estavam no orçamento, sobram três destinos que melhoram a sua vida financeira. A ordem entre eles depende de você ter dívida cara e de já ter uma reserva.

Quitar a dívida mais cara

Cada real que abate o saldo de uma dívida deixa de pagar juros todos os meses até o fim do contrato. É um retorno garantido, igual à taxa da dívida, sem risco e sem imposto. Por isso, quando há dívida cara, ela costuma vir antes de qualquer investimento.

Se você tem mais de uma, comece pela de maior taxa. É o princípio do método avalanche: a dívida mais cara primeiro, porque é ela que mais cobra juros sobre cada real de saldo. Ao amortizar, peça para reduzir o prazo, e não a parcela: é o que corta mais juros.

Montar ou completar a reserva de emergência

Quem não tem nenhuma reserva vive a um imprevisto de distância de uma dívida nova. O carro quebra, o dentista cobra, e a saída vira o cheque especial ou o rotativo do cartão, as linhas mais caras que existem. Quitar uma dívida e voltar a se endividar no mês seguinte não resolve nada.

A reserva não rende tanto quanto uma dívida custa, mas ela protege o resto do plano. Veja quantos meses de gastos guardar e onde deixar esse dinheiro.

Investir

Sem dívidas caras e com a reserva completa, o 13º pode ir para os investimentos. É o momento em que esse dinheiro passa a trabalhar por você em vez de só deixar de custar. Quem já investe todo mês pode tratar o 13º como um aporte extra do ano.

A conta que decide: taxa da dívida x rendimento do investimento

Quitar dívida e investir são a mesma decisão vista de dois lados. Abater R$ 3.000 de uma dívida de 1,79% ao mês equivale a aplicar esses R$ 3.000 a 1,79% ao mês, porque é exatamente isso que você deixa de pagar. Então basta comparar as duas taxas na mesma unidade.

Uma dívida de 1,79% ao mês custa cerca de 23,7% ao ano. Para comparar, use como premissa um investimento que renda 1% ao mês, cerca de 12,7% ao ano, antes de impostos. Em 12 meses, os R$ 3.000 dão:

  • Abatidos na dívida: R$ 711,78 de juros que você deixa de pagar.
  • Investidos: R$ 380,48 de rendimento bruto, antes do imposto.

A dívida ganha por R$ 331,31, e a vantagem real é maior, porque o rendimento ainda paga imposto e a economia de juros não. A tabela repete a conta para dívidas de outras taxas:

Taxa da dívidaJuros evitados em 12 mesesInvestimento a 1% ao mêsMelhor uso
0,90% ao mêsR$ 340,53R$ 380,48Investir
1,79% ao mêsR$ 711,78R$ 380,48Quitar
3,50% ao mêsR$ 1.533,21R$ 380,48Quitar
8,00% ao mêsR$ 4.554,51R$ 380,48Quitar
R$ 3.000 por 12 meses, juros compostos. O rendimento de 1% ao mês é premissa, bruto, antes de impostos.

Só na primeira linha o investimento vence, e por pouco: uma dívida de 0,90% ao mês é mais barata que o rendimento suposto. É o caso de alguns financiamentos imobiliários. Para quase todo o resto, como empréstimo pessoal, cartão e cheque especial, a dívida cobra mais do que qualquer investimento comum paga.

Quando a taxa da dívida e a do investimento ficam próximas, a diferença é pequena e outros pontos pesam mais: a segurança de ter a reserva, a chance de amortizar sem multa, a tranquilidade de uma parcela a menos. A conta resolve os casos claros; nos apertados, ela só mostra que qualquer escolha é razoável.

Uma divisão possível quando há dívida e não há reserva

O caso mais comum é o de quem tem dívida e não tem reserva nenhuma. Colocar tudo na dívida maximiza a economia de juros, mas deixa a pessoa sem proteção. Guardar tudo deixa a dívida cara rodando. Uma divisão possível é separar uma parte para começar a reserva e mandar o resto para a dívida mais cara.

Veja com números. Uma dívida de R$ 12.000 a 1,79% ao mês, com parcela de R$ 450, leva 37 meses para acabar e cobra R$ 4.457,43 de juros. Com o 13º de R$ 3.000:

Uso do 13ºMeses até quitarJuros totaisEconomia de juros
Nada na dívida37R$ 4.457,43—
R$ 2.000 na dívida, R$ 1.000 na reserva29R$ 2.863,78R$ 1.593,65
R$ 3.000 na dívida25R$ 2.240,57R$ 2.216,86
Dívida de R$ 12.000 a 1,79% ao mês, parcela de R$ 450, amortização no saldo com redução do prazo.

A divisão abre mão de R$ 623,21 de economia em relação a pôr tudo na dívida, e quatro meses a mais de parcela. Em troca, a pessoa começa uma reserva de R$ 1.000, que cobre um conserto ou uma consulta sem precisar do cartão. Para quem não tem nada guardado, costuma ser uma troca que vale.

Não existe proporção certa. Quanto mais cara a dívida, mais faz sentido mandar quase tudo para ela. Quanto mais instável a renda, mais peso para a reserva. O que não funciona é deixar o 13º parado na conta corrente, sem destino, até ele sumir em gastos pequenos.

Se a sua dívida é um consignado, a amortização também é possível: o banco é obrigado a reduzir os juros proporcionalmente quando você paga antes. Para descobrir a taxa real do seu contrato, use a calculadora de consignado, com o passo a passo no artigo da calculadora de consignado.

Como ver o efeito no seu caso

Os números acima são de um exemplo. Os seus dependem do saldo, da taxa e da parcela de cada dívida. Para decidir, você precisa de três informações por dívida, todas no aplicativo do banco ou no contrato:

  1. Saldo para quitar hoje, e não a parcela vezes os meses que faltam. Esse total inclui juros que ainda não aconteceram.
  2. Taxa de juros ao mês. Se o contrato só mostra a taxa ao ano, converta antes de comparar.
  3. Parcela atual e quantas faltam.

Com isso em mãos, o simulador de quitação do Rikezas mostra quantos meses e quanto de juros você economiza ao abater o 13º em cada dívida. Você testa R$ 3.000 numa, R$ 2.000 em outra, e vê qual combinação corta mais juros antes de mandar o dinheiro para o banco.

No exemplo deste artigo, cada real do 13º abatido na dívida de 1,79% evitou R$ 0,74 de juros ao longo do contrato. É esse tipo de número que tira a decisão do achismo: quando você vê quanto cada real economiza, fica mais fácil resistir à tentação de gastar tudo em dezembro.

Perguntas frequentes

Quando cai a primeira parcela do 13º?

Pela Lei 4.749, a primeira parcela deve ser paga até 30 de novembro, e a segunda até 20 de dezembro. A empresa pode adiantar a primeira a partir de fevereiro, e o empregado pode pedir para recebê-la nas férias se fizer o pedido em janeiro.

Vale a pena antecipar o 13º no banco?

Só se o dinheiro for quitar uma dívida mais cara que a antecipação. A antecipação é um empréstimo com juros, e às vezes IOF e tarifas. Para gastar, ela só encarece o consumo.

É melhor quitar dívida ou investir o 13º?

Compare a taxa da dívida com o rendimento do investimento, na mesma unidade. Se a dívida cobra mais, quitar rende mais, sem risco e sem imposto. Isso vale para quase todo empréstimo pessoal, cartão e cheque especial.

Posso usar o 13º para quitar o consignado?

Pode. Peça ao banco o saldo para quitar e escolha amortizar reduzindo o prazo, o que corta mais juros. Antes, confira se não há uma dívida mais cara na fila, porque o consignado costuma ter uma das taxas mais baixas.

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Equipe Rikezas

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