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Quais dívidas pagar primeiro? O método que economiza mais juros

A ordem em que você paga muda os juros e o prazo. Veja a regra para escolher, com as contas feitas para três dívidas.

Equipe Rikezas · 9 min de leitura
Capa com a frase "Qual dívida primeiro?", sobre a ordem de pagamento das dívidas
Neste artigo
  1. Quais dívidas pagar primeiro: por que a ordem importa
  2. Método avalanche (maior taxa primeiro)
  3. Método bola de neve (menor saldo primeiro)
  4. Comparação com exemplo em reais
  5. Exceções: dívida com risco de perder bem, dívida negativada
  6. Como montar sua ordem de ataque
  7. Perguntas frequentes

Você tem um consignado, um empréstimo pessoal e uma compra parcelada no cartão. Todo mês sobram uns R$ 400 depois das parcelas, e esse dinheiro não dá para tudo. A pergunta que aparece é sempre a mesma: quais dívidas pagar primeiro? Dividir um pouco para cada uma parece justo, mas não é o que sai mais barato.

A ordem em que você ataca as dívidas muda quanto de juros você paga no total e quando a última parcela acaba. E existe uma regra simples para escolher, com duas variações que funcionam para perfis diferentes. Abaixo, as duas lado a lado, com as contas feitas mês a mês para três dívidas de verdade.

Quais dívidas pagar primeiro: por que a ordem importa

Toda dívida cobra juros sobre o saldo que ainda falta. Quando você coloca R$ 1 a mais em uma delas, esse real deixa de pagar juros todos os meses até o fim do contrato. O detalhe é que esse real economiza mais em uma dívida cara do que em uma barata.

Veja as três dívidas do exemplo, que somam R$ 17.400:

DívidaSaldoTaxa ao mêsParcelaJuros no mês
ConsignadoR$ 9.0001,79%R$ 350R$ 161,10
Empréstimo pessoalR$ 6.0003,50%R$ 300R$ 210,00
Cartão parceladoR$ 2.4002,46%R$ 250R$ 59,04
TotalR$ 17.400—R$ 900R$ 430,14
Saldos e parcelas de exemplo. Juros do primeiro mês: saldo vezes a taxa mensal.

O empréstimo pessoal é só 34% do que se deve, mas responde por 49% dos juros do mês. O consignado, o maior saldo, cobra a menor taxa. Se a pessoa coloca o dinheiro extra no consignado porque “é a dívida maior”, ela ataca justamente a mais barata.

A taxa ao mês engana pela aparência. Os 3,50% do empréstimo pessoal equivalem a cerca de 51,1% ao ano, contra 33,9% do cartão parcelado e 23,7% do consignado. Para comparar, use sempre a mesma unidade. Se o contrato de um mostra a taxa ao ano e o de outro ao mês, converta antes de ordenar.

Método avalanche (maior taxa primeiro)

No método avalanche, você paga a parcela de todas as dívidas e coloca todo o dinheiro extra na de maior taxa de juros. Quando ela acaba, a parcela que ficou livre se soma ao extra e vai para a próxima da fila. O pagamento ganha força a cada dívida quitada.

No exemplo, a ordem fica assim: empréstimo pessoal (3,50%), cartão parcelado (2,46%) e consignado (1,79%). É o caminho que paga menos juros no total, sempre ou empatado com qualquer outra ordem. O motivo é o da seção anterior: cada real vai para onde economiza mais.

O ponto fraco é o tempo até a primeira vitória. Se a dívida mais cara também é grande, você pode passar meses pagando sem ver nenhuma sumir da lista. O artigo sobre o método avalanche mostra o passo a passo completo e como converter taxa ao ano em taxa ao mês.

Método bola de neve (menor saldo primeiro)

O método bola de neve usa a mesma mecânica, mas ordena pelo menor saldo, sem olhar a taxa. Você quita primeiro a dívida menor, depois a seguinte, e assim por diante. A parcela liberada também vai crescendo, como uma bola de neve que rola morro abaixo.

No exemplo, a ordem vira: cartão parcelado (R$ 2.400), empréstimo pessoal (R$ 6.000) e consignado (R$ 9.000). A vantagem é psicológica. Riscar uma dívida inteira da lista cedo dá a sensação de progresso, e quem vê progresso tende a manter o plano.

O custo dessa vantagem são os juros a mais, porque por alguns meses o dinheiro extra vai para uma dívida mais barata enquanto a mais cara segue rodando. Quanto ele custa depende das suas dívidas, e a próxima seção mostra o valor exato no exemplo.

Comparação com exemplo em reais

Suponha que a pessoa tenha R$ 1.300 por mês para dívidas: as três parcelas, que somam R$ 900, mais R$ 400 de extra. A simulação aplica os juros de cada mês sobre o saldo, paga as parcelas e manda o extra para a dívida que cada método manda atacar. Quando uma acaba, a parcela dela entra no extra.

EstratégiaPrimeira dívida quitadaMeses até zerarJuros totais
Só as parcelas, sem extramês 1235R$ 8.037,74
Extra no consignado (a maior)mês 1217R$ 4.422,19
Extra dividido igual entre as trêsmês 717R$ 3.919,96
Bola de neve (menor saldo)mês 417R$ 3.683,15
Avalanche (maior taxa)mês 1117R$ 3.558,18
Saldo total de R$ 17.400. Juros compostos mês a mês, R$ 1.300 por mês para dívidas, exceto na primeira linha, que paga só as parcelas.

Três leituras saem dessa tabela.

Ter um plano vale mais que escolher o método. Pagando só as parcelas, as dívidas duram 35 meses e cobram R$ 8.037,74 de juros. Com R$ 400 de extra e a avalanche, acabam em 17 meses com R$ 3.558,18. São R$ 4.479,56 a menos e um ano e meio antes.

A ordem errada custa caro. Mandar o extra para o consignado, a dívida maior e mais barata, cobra R$ 864,01 a mais que a avalanche, mesmo terminando no mesmo mês. Dividir igual entre as três custa R$ 361,78 a mais.

Entre avalanche e bola de neve, a diferença foi pequena. A bola de neve pagou R$ 124,97 a mais e, em troca, quitou o cartão no quarto mês, sete meses antes da primeira vitória da avalanche. Para quem tem medo de desistir, pode ser um preço aceitável. A diferença cresce quando a dívida de menor saldo é muito mais barata que a de maior taxa.

Como a avalanche anda, mês a mês

Nos primeiros meses, quase nada parece acontecer. O consignado e o cartão caem devagar, só com as parcelas, enquanto o extra vai todo para o empréstimo pessoal. A virada vem no 11º mês, quando o empréstimo e o cartão acabam juntos e R$ 950 por mês passam a ir para o consignado:

MêsEmpréstimo pessoalCartão parceladoConsignadoTotal
3R$ 4.478R$ 1.813R$ 8.423R$ 14.714
6R$ 2.790R$ 1.181R$ 7.815R$ 11.787
9R$ 919R$ 502R$ 7.173R$ 8.595
11quitadoquitadoR$ 6.307R$ 6.307
14——R$ 2.682R$ 2.682
17——quitadoR$ 0
Saldos no fim de cada mês, depois do pagamento, pelo método avalanche.

Repare que o consignado leva dez meses para cair de R$ 9.000 para R$ 6.951 e, depois, só mais sete para zerar. É o efeito de juntar as parcelas liberadas: o pagamento do consignado passa de R$ 350 para R$ 1.300 por mês. Quem desiste no sexto mês, achando que não sai do lugar, perde justamente a parte mais rápida.

Como escolher entre os dois

  • Prefira a avalanche se as taxas das suas dívidas são muito diferentes entre si, se a dívida mais cara não é enorme ou se você já seguiu um plano até o fim antes.
  • Prefira a bola de neve se as taxas são parecidas, se você tem várias dívidas pequenas que dá para riscar da lista em poucos meses ou se já abandonou planos por falta de resultado visível.

Exceções: dívida com risco de perder bem, dívida negativada

Ordenar pela taxa é a regra para o dinheiro extra. Mas algumas dívidas pedem atenção antes de qualquer conta de juros, porque o custo de atrasar não está na taxa.

Dívida com risco de perder um bem

Financiamento de carro e de imóvel costuma ter o próprio bem como garantia. Se as parcelas atrasam, o credor pode retomar o carro ou o imóvel, e o prejuízo vai muito além dos juros. Essas parcelas ficam em dia sempre, mesmo que a taxa seja baixa. Elas não recebem o extra, mas também nunca ficam para trás.

O mesmo vale para o que mantém a casa funcionando: aluguel, condomínio, água, luz e pensão alimentícia. Atrasar essas contas para adiantar um empréstimo troca um problema de juros por um problema muito maior.

Dívida negativada

Quando a dívida já está atrasada há meses e o nome foi para os cadastros de inadimplentes, a lógica muda. O credor costuma aceitar acordos com desconto grande para receber alguma coisa. Nesse caso, a pergunta deixa de ser “qual a taxa?” e passa a ser “quanto preciso para quitar à vista ou num acordo que caiba no mês?”.

Antes de fechar, confirme que a parcela do acordo cabe no orçamento junto com as dívidas que estão em dia. Um acordo quebrado volta ao ponto de partida, muitas vezes sem o desconto.

Parcela menor que os juros vai para o topo. Se a parcela de uma dívida não cobre nem os juros do mês, o saldo cresce mesmo com você pagando em dia. Essa dívida passa na frente de todas na ordem de ataque.

Como montar sua ordem de ataque

  1. Liste todas as dívidas. Para cada uma: saldo para quitar hoje, taxa de juros ao mês e parcela. O saldo está no aplicativo do banco. Não use parcela vezes meses, que inclui juros futuros.
  2. Separe as exceções. Dívidas com bem em garantia e contas essenciais ficam em dia, fora da disputa pelo extra. Dívidas negativadas vão para uma lista de negociação.
  3. Marque as que crescem sozinhas. Se a parcela é menor que os juros do mês, essa dívida vai para o topo, qualquer que seja a taxa.
  4. Escolha o método. Ordene o resto pela maior taxa (avalanche) ou pelo menor saldo (bola de neve). Em caso de empate na taxa, comece pela de menor saldo.
  5. Defina o valor extra do mês e não mexa nele. O total para dívidas é fixo: quando uma acaba, a parcela dela vai para a próxima, e não para o consumo.
  6. Ao amortizar, reduza o prazo. Peça ao banco para abater o extra no saldo com redução do prazo, que corta mais juros que reduzir a parcela.

Dinheiro extra que aparece de uma vez, como restituição do imposto ou o décimo terceiro, segue a mesma fila. O artigo sobre usar o 13º para quitar dívida mostra a conta que compara quitar com guardar ou investir. Se a dívida da fila é um consignado e você não sabe a taxa real, a calculadora de consignado descobre a partir da parcela, das parcelas que faltam e do saldo para quitar. O passo a passo está no artigo da calculadora de consignado.

Montar essa lista à mão funciona, mas ela muda todo mês: os saldos caem, uma dívida acaba, outra entra. O Rikezas mostra a ordem de ataque automaticamente. Você cadastra cada dívida com saldo, taxa e parcela, e o app ordena pela taxa, calcula os juros do mês, marca a que precisa ser estancada primeiro e mostra quanto você economiza com um valor extra.

Tela de dívidas do Rikezas no celular, com a lista ordenada pela taxa de juros
Dívidas ordenadas pela taxa, com os juros do mês de cada uma.

Perguntas frequentes

Quais dívidas devo pagar primeiro?

Mantenha em dia as que podem tomar um bem e as contas essenciais. Com o dinheiro extra, ataque primeiro a dívida cuja parcela não cobre os juros e, depois, a de maior taxa de juros. Se precisar de vitórias rápidas, comece pela de menor saldo.

Qual a melhor maneira de quitar dívidas?

Listar todas, definir um valor fixo por mês para elas e concentrar o extra em uma de cada vez. O método avalanche paga menos juros; o bola de neve quita a primeira dívida mais cedo. Qualquer um dos dois é muito melhor que pagar só as parcelas.

O que fazer quando se está muito endividado?

Primeiro, pare de criar dívida nova e garanta as contas essenciais. Depois, liste tudo e veja se a soma das parcelas cabe na renda. Se não couber, negocie as dívidas mais caras ou atrasadas antes de escolher a ordem de pagamento.

Como quitar dívidas com pouco dinheiro?

Mesmo um extra pequeno muda o resultado quando vai sempre para a mesma dívida. Corte gastos por alguns meses, use dinheiro que aparece de uma vez, como o 13º, e reaproveite a parcela de cada dívida que acaba na próxima da fila.

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Equipe Rikezas

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