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Saldo devedor x total a pagar: por que sua dívida não é parcela × meses

O valor para quitar hoje é menor que a soma das parcelas. A diferença são juros que ainda não aconteceram.

Equipe Rikezas · 7 min de leitura
Capa com a frase "Parcela × meses ≠ dívida" sobre a diferença entre saldo devedor e total a pagar.
Neste artigo
  1. O erro de multiplicar parcela por meses
  2. O que é saldo devedor (valor de quitação)
  3. O que é total a pagar
  4. Exemplo com números reais
  5. Onde achar o saldo para quitar
  6. Por que isso muda a decisão de quitar ou não
  7. Perguntas frequentes

Faltam 26 parcelas de R$ 1.229 no seu consignado. A conta que quase todo mundo faz é 26 × R$ 1.229 = R$ 31.954, e esse vira o número da dívida. Só que, se você pedir ao banco para quitar hoje, o saldo devedor que ele informa é bem menor: R$ 25.371. Não é desconto nem promoção. É só a diferença entre o que você deve hoje e o que vai pagar se seguir até o fim.

Entender essa diferença muda a forma de olhar qualquer empréstimo ou financiamento com parcelas fixas, e muda principalmente a decisão de quitar antes ou não.

O erro de multiplicar parcela por meses

Multiplicar a parcela pelos meses que faltam parece a conta mais honesta possível. O problema é que cada parcela tem duas partes: uma que paga os juros do mês e outra que reduz a dívida. Quando você soma as parcelas futuras, está somando também os juros de todos os meses que ainda não chegaram.

Esses juros só existem se o tempo passar. Juro é o preço de ficar com o dinheiro do banco por mais um mês. Se você devolve o dinheiro hoje, não usa os próximos meses e não paga por eles.

O erro aparece em vários lugares: na hora de montar o patrimônio líquido, ao comparar dívidas, ao decidir se vale usar uma reserva para quitar. Em todos eles, usar o total das parcelas faz a dívida parecer maior do que é e distorce a conta.

O que é saldo devedor (valor de quitação)

Saldo devedor é quanto falta do dinheiro que você pegou emprestado, mais os juros do período corrido até hoje. É o valor que encerra o contrato numa data específica. Os bancos chamam de “valor para quitação”, “saldo para liquidação” ou “saldo para quitar”, e é tudo a mesma coisa.

Três características ajudam a reconhecer o saldo devedor:

  • Ele muda todo mês. Cada parcela paga reduz o saldo pelo valor da amortização daquele mês.
  • Ele é sempre menor que a soma das parcelas que faltam, desde que haja juros no contrato.
  • Ele tem data. O saldo de hoje não vale para o mês que vem. Por isso o banco informa o valor com uma validade curta.

O direito de pagar só o saldo está no Código de Defesa do Consumidor: o artigo 52, parágrafo 2º, garante a liquidação antecipada do débito, total ou parcial, com redução proporcional dos juros e demais acréscimos. Na prática, o banco não pode cobrar os juros dos meses que você não vai usar.

Um detalhe que confunde: o saldo informado no meio do mês costuma ser um pouco maior que o saldo logo depois do desconto. Entre um vencimento e outro, os juros correm dia a dia sobre o que você deve. Se você pedir o valor no dia 5 e pagar no dia 25, o número já mudou. Por isso vale pedir o saldo perto da data em que vai pagar.

O que é total a pagar

Total a pagar é a soma de todas as parcelas que ainda faltam: parcela × número de parcelas. É o que vai sair do seu bolso se você seguir pagando normalmente até o fim, sem antecipar nada.

Ele não está errado. Ele só responde outra pergunta. O saldo devedor responde “quanto eu devo hoje?”. O total a pagar responde “quanto ainda vou gastar com essa dívida se não fizer nada?”. Os dois são úteis, desde que você não troque um pelo outro.

Total a pagar − saldo devedor = juros que ainda vão ser cobrados

Exemplo com números reais

Voltando ao consignado do começo: 26 parcelas de R$ 1.229 e saldo para quitar de R$ 25.371.

Consignado com 26 parcelas de R$ 1.229
ItemValor
Total a pagar (26 × R$ 1.229)R$ 31.954
Saldo devedor hoje− R$ 25.371
Juros que ainda vão ser cobradosR$ 6.583

Os R$ 6.583 são 20,6% de tudo o que falta pagar. Com esses três números dá para descobrir a taxa do contrato: pelo sistema Price, a taxa que faz 26 parcelas de R$ 1.229 valerem R$ 25.371 hoje é de 1,79% ao mês, cerca de 23,7% ao ano.

A tabela abaixo mostra como esses juros se distribuem ao longo das parcelas. No começo, boa parte da parcela é juro. No fim, quase tudo é amortização:

ParcelaJurosAmortizaçãoSaldo depois
1ªR$ 454,17R$ 774,83R$ 24.596,17
2ªR$ 440,30R$ 788,70R$ 23.807,47
12ªR$ 287,18R$ 941,82R$ 15.100,73
25ªR$ 42,85R$ 1.186,15R$ 1.207,39
26ªR$ 21,61R$ 1.207,39R$ 0,00
Soma das 26R$ 6.583,00R$ 25.371,00—
Sistema Price, taxa de 1,79% ao mês sobre o saldo. Cada parcela é de R$ 1.229.

Repare na soma: as amortizações dão exatamente o saldo devedor, R$ 25.371, e os juros dão exatamente a diferença, R$ 6.583. O total a pagar é só a soma das duas colunas.

Outro detalhe: depois de 12 parcelas, você terá pago R$ 14.748, mas o saldo devedor terá caído só para R$ 15.100,73. As 14 parcelas restantes ainda vão somar R$ 17.206. É por isso que, no começo do contrato, a dívida parece andar devagar.

Se quiser fazer essa conta com o seu contrato, a calculadora de consignado pede justamente a parcela, as parcelas que faltam e o saldo para quitar, e devolve a taxa e os juros que faltam.

Onde achar o saldo para quitar

  1. No aplicativo ou no site do banco. Procure a área do empréstimo e a opção de quitar, liquidar ou antecipar. O valor aparece com a data de validade.
  2. Na central de atendimento. Peça o “valor para quitação antecipada” do contrato. Anote a data em que o valor foi informado.
  3. No extrato do consignado. Para quem tem desconto em folha ou no benefício, o extrato ajuda a confirmar o número do contrato, o banco, a parcela e quantas faltam. O saldo para quitar em si vem do banco.

Cuidado com o campo que aparece como “saldo” em alguns extratos: às vezes ele mostra a soma das parcelas restantes, não o valor de quitação. Um teste rápido: se o número for exatamente parcela × parcelas que faltam, é o total a pagar.

Ao pedir o valor, guarde o comprovante: a tela salva, o e-mail do banco ou o número do protocolo do atendimento. Se o valor cobrado na hora de quitar for diferente do informado, é esse registro que você vai usar para pedir a correção. Também vale perguntar se o boleto de quitação já inclui tudo, para não sobrar uma parcela descontada depois.

É o mesmo teste que o Rikezas faz quando você cadastra uma dívida. Se o saldo informado bate com parcela × meses, o app avisa que aquele número parece ser o total das parcelas, e não o saldo devedor, antes de calcular a taxa e o cronograma.

Por que isso muda a decisão de quitar ou não

Quem olha só o total a pagar acha que quitar o consignado exige R$ 31.954, desiste e nem pede o valor ao banco. Com o número certo, a conta fica outra: são R$ 25.371 hoje, e a economia de quitar é de R$ 6.583 em juros.

A pergunta que decide é se o dinheiro usado para quitar renderia mais do que a taxa da dívida. Quitar um consignado de 1,79% ao mês é como conseguir um rendimento garantido de 1,79% ao mês sobre o valor usado, sem risco. Poucas aplicações comuns chegam perto disso. Mas antes de usar dinheiro guardado, confira se sobra uma reserva de emergência: quitar e ficar sem proteção nenhuma pode levar a uma dívida mais cara no primeiro imprevisto.

Antecipar algumas parcelas também vale

Não é preciso quitar tudo de uma vez. A antecipação parcial tem a mesma regra: você paga a parcela sem os juros que ela ainda teria. No exemplo, a 26ª parcela, antecipada hoje, sai por R$ 774,83 em vez de R$ 1.229. As parcelas do fim são as que têm mais juros embutidos, e por isso dão o maior desconto.

Comparar dívidas pelo saldo, não pelo total

Na hora de escolher qual dívida atacar primeiro, use o saldo devedor e a taxa de cada uma. Uma dívida com total a pagar alto pode ter saldo pequeno e taxa baixa; outra, com poucas parcelas, pode ser a mais cara. O método avalanche ordena justamente pela taxa, e para calcular a taxa você precisa do saldo. Para conferir os juros do seu consignado com mais detalhe, veja como calcular os juros do consignado.

No patrimônio líquido, entra o saldo. Ao somar o que você deve, use o saldo devedor de cada dívida. Usar o total das parcelas faz o seu patrimônio parecer menor do que é.

Perguntas frequentes

O que significa quitar uma dívida?

Quitar é pagar todo o saldo devedor e encerrar o contrato. Se a quitação for antes do prazo, você paga o saldo do dia, sem os juros dos meses que não vai usar. Depois disso, não sobra nenhuma parcela a pagar.

Como saber se uma dívida foi quitada?

Peça ao banco o termo ou a declaração de quitação do contrato e guarde o documento. No consignado, confira também se o desconto sumiu do contracheque ou do benefício no mês seguinte. O Registrato, do Banco Central, mostra os empréstimos registrados no seu CPF e ajuda a confirmar que o contrato foi encerrado.

Quanto tempo demora para quitar uma dívida?

Pagando só as parcelas, o tempo é o número de parcelas que faltam. Quitando de uma vez, basta pagar o saldo informado pelo banco dentro da validade; o prazo para o contrato aparecer como encerrado depende de cada instituição. Antecipações parciais encurtam o prazo na medida do que você antecipa.

Como quitar dívida pagando pouco?

Antecipe parcelas sempre que sobrar algum dinheiro, começando pelas últimas, que têm o maior desconto de juros. Mesmo valores pequenos, repetidos todo mês, cortam meses do contrato. E peça sempre o saldo para quitar, nunca use parcela × meses como referência.

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Equipe Rikezas

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