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Como sair da bola de neve das dívidas sem pegar outro empréstimo

Por que a dívida cresce mesmo paga em dia e como quebrar o ciclo, com um plano completo para R$ 20 mil.

Equipe Rikezas · 9 min de leitura
Capa com a frase "Quebrar a bola de neve", sobre como sair das dívidas que crescem sozinhas
Neste artigo
  1. Por que a dívida vira bola de neve (dívidas que crescem sozinhas)
  2. O primeiro passo: listar tudo (saldo, parcela, taxa)
  3. Parar de aumentar a dívida
  4. Escolher o método (avalanche ou bola de neve)
  5. Juntar as dívidas numa só: quando ajuda e quando piora
  6. Exemplo: plano para R$ 20 mil em dívidas
  7. Perguntas frequentes

Você paga todo mês, em dia, e a dívida não diminui. Às vezes aumenta. Aí aparece a oferta de um empréstimo para quitar o cartão, depois o cheque especial cobre o empréstimo, e o ciclo recomeça com um credor a mais. É a bola de neve: dívidas que crescem mesmo com você pagando, porque os juros correm mais rápido que as parcelas.

O nome serve para duas coisas diferentes, e as duas aparecem aqui. Uma é o problema: a dívida que cresce sozinha, com juros sobre juros. A outra é uma das saídas: o método de quitar primeiro a dívida de menor saldo. Entender o primeiro sentido explica por que o segundo funciona. No fim, um plano completo para quem deve R$ 20 mil.

Por que a dívida vira bola de neve (dívidas que crescem sozinhas)

Todo mês, a dívida recebe juros sobre o saldo. Se o que você paga é maior que esses juros, a diferença abate o saldo e a dívida diminui. Se o que você paga é menor, a diferença entra no saldo. No mês seguinte, os juros incidem sobre um valor maior, e a diferença fica maior ainda.

Veja um cartão de crédito com R$ 4.000 em aberto, a juros de 9% ao mês (uma premissa para o exemplo). Os juros do primeiro mês são R$ 360. Quem paga R$ 300 por mês, achando que está fazendo a sua parte, vê o saldo assim:

MêsSaldo depois do pagamento
InícioR$ 4.000,00
1R$ 4.060,00
6R$ 4.451,40
12R$ 5.208,44
Juros de 9% ao mês (premissa) e pagamento de R$ 300 no fim de cada mês.

Em um ano, a pessoa pagou R$ 3.600 e passou a dever R$ 1.208,44 a mais. Em dois anos, no mesmo ritmo, o saldo chegaria a R$ 8.607,39. Para a dívida só parar de crescer, o pagamento precisaria ser de pelo menos R$ 360 por mês. Para ela acabar, bem mais que isso.

O segundo motor da bola de neve é o empréstimo que paga outro. Quando a parcela aperta, a saída mais fácil parece ser um crédito novo. Só que ele não reduz o que você deve: muda o nome do credor e, muitas vezes, soma tarifas, IOF e um prazo maior. Se o hábito que criou a dívida continua, em poucos meses há duas dívidas onde antes havia uma.

O sinal de alarme. Se a parcela de uma dívida é menor que os juros do mês, ela cresce mesmo paga em dia. Essa é a primeira dívida a resolver, antes de qualquer outra.

O primeiro passo: listar tudo (saldo, parcela, taxa)

Ninguém sai de uma bola de neve sem saber o tamanho dela. O primeiro passo é uma lista com todas as dívidas, sem exceção: cartão, cheque especial, empréstimos, consignado, financiamentos, carnês de loja e dinheiro emprestado de parentes. Para cada uma, anote três números:

  • Saldo para quitar hoje. Está no aplicativo do banco ou na fatura. Não é a parcela vezes os meses que faltam, que inclui juros futuros.
  • Quanto você paga por mês. A parcela, ou o valor que você costuma pagar no cartão e no cheque especial.
  • Taxa de juros ao mês. Está no contrato, na fatura ou no extrato. Se vier ao ano, converta antes de comparar.

Veja a lista do Marcos, que deve R$ 20.000 e paga R$ 1.150 por mês para os credores. As taxas são premissas do exemplo:

DívidaSaldoTaxa ao mêsPaga por mêsJuros no mês
Cartão de créditoR$ 4.0009,0%R$ 300R$ 360
Cheque especialR$ 2.0007,0%R$ 150R$ 140
Empréstimo pessoalR$ 6.0004,0%R$ 400R$ 240
ConsignadoR$ 8.0001,9%R$ 300R$ 152
TotalR$ 20.000—R$ 1.150R$ 892
Taxas de exemplo. Juros do primeiro mês: saldo vezes a taxa mensal.

A lista revela o que o Marcos sentia e não conseguia explicar. Dos R$ 1.150 que ele paga, R$ 892, ou 78%, vão para juros. Só R$ 258 reduzem de fato o que ele deve. E o cartão cresce R$ 60 por mês, porque o pagamento não cobre os juros.

Os juros do cartão e do cheque especial têm regras e limites próprios definidos pelo governo e pelo Banco Central. Os números deste exemplo servem para mostrar o mecanismo. Confira no seu contrato e na fatura a taxa que você paga de verdade.

Parar de aumentar a dívida

Nenhum método funciona se a dívida continua recebendo compras novas. Antes de pensar em ordem de pagamento, feche as torneiras:

  1. Tire o cartão da carteira e dos aplicativos de compra. Use débito ou dinheiro até a dívida do cartão acabar. Se precisar, peça ao banco para reduzir o limite.
  2. Peça para reduzir ou cancelar o limite do cheque especial. Ele cobre o saldo negativo sem avisar, e é aí que a bola de neve ganha velocidade.
  3. Não aceite crédito novo para pagar crédito velho, a não ser como parte de um plano, com taxa menor e prazo curto, como na seção sobre juntar as dívidas.
  4. Corte gastos por alguns meses. Assinaturas, delivery e compras pequenas somam. O que sobrar vira o valor extra do plano.
  5. Comece uma reserva pequena, nem que sejam algumas centenas de reais. Sem ela, o primeiro imprevisto volta para o cartão. Veja quanto guardar na reserva de emergência.

Parar de aumentar a dívida não exige sobrar dinheiro. Exige só não criar saldo novo. É o passo mais difícil, porque mexe com hábito, e o mais importante: sem ele, cada real pago é anulado por uma compra nova.

Escolher o método (avalanche ou bola de neve)

Com a lista pronta e as torneiras fechadas, defina um valor fixo por mês para as dívidas. Pague a parcela de todas e coloque o extra em uma de cada vez. Quando ela acaba, a parcela dela se soma ao extra e vai para a próxima. A escolha é por onde começar:

  • Avalanche: começa pela dívida de maior taxa de juros. É o caminho que paga menos juros no total. O método avalanche tem o passo a passo completo.
  • Bola de neve: começa pela dívida de menor saldo, sem olhar a taxa. Paga um pouco mais de juros, mas quita uma dívida inteira mais cedo, o que ajuda a manter o plano.

Aqui a bola de neve muda de lado: em vez de crescer contra você, ela cresce a seu favor. Cada dívida quitada libera uma parcela, e o pagamento da próxima fica maior. O artigo sobre quais dívidas pagar primeiro compara os dois métodos com exemplo e mostra as exceções, como dívidas que podem tomar um bem.

Seja qual for o método, há uma regra que passa na frente: a dívida que cresce sozinha é a primeira. Enquanto ela existe, todo o resto do esforço vaza por ali. No exemplo do Marcos, o cartão é ao mesmo tempo a dívida que cresce e a de maior taxa, então as duas regras apontam para ele.

Juntar as dívidas numa só: quando ajuda e quando piora

Juntar todas as dívidas numa só significa pegar um crédito novo, com uma única parcela, e usar o dinheiro para quitar as outras. A ideia é atraente: um boleto só, uma data só. Mas ela pode ajudar ou piorar, e o que decide são três números: a taxa, o prazo e o que acontece com o cartão depois.

Veja o caso do Marcos. Pelo plano sem empréstimo novo, descrito na próxima seção, ele paga R$ 7.457,10 de juros em 18 meses. Compare com algumas formas de juntar os R$ 20.000, todas com taxas de premissa:

OpçãoParcelaPrazoJuros totais
Plano sem empréstimo (R$ 1.600 por mês)R$ 1.60018 mesesR$ 7.457,10
Novo crédito a 2,5%, pagando R$ 1.600R$ 1.60016 mesesR$ 4.281,75
Novo crédito a 3%, em 36 vezesR$ 916,0836 mesesR$ 12.978,73
Novo crédito a 3%, em 60 vezesR$ 722,6660 mesesR$ 23.359,55
R$ 20.000 consolidados. Taxas de premissa, sem IOF e tarifas. Parcela fixa no sistema Price.

Quando ajuda

Na segunda linha, a troca funciona: a taxa nova é menor que a média das dívidas antigas, e o Marcos mantém o esforço de R$ 1.600 por mês. Ele termina dois meses antes e paga R$ 3.175,35 a menos de juros. Trocar dívida cara por dívida mais barata ajuda quando três condições valem ao mesmo tempo: o custo efetivo total (CET) é de fato menor, o prazo não se estica e o cartão fica guardado.

Quando piora

Nas duas últimas linhas, a parcela cai, o alívio é imediato e a conta fica muito maior. Em 36 vezes, o Marcos paga R$ 5.521,63 a mais de juros que no plano sem empréstimo. Em 60 vezes, R$ 15.902,45 a mais. Uma parcela menor não é uma dívida menor: é a mesma dívida, mais devagar e mais cara.

O pior cenário é o mais comum. A parcela de R$ 916,08 cabe folgada, o limite do cartão fica livre e, em alguns meses, a fatura volta. Com R$ 4.000 de cartão de novo e um pagamento de R$ 300 nele, o Marcos passa a pagar R$ 1.216,08 por mês, mais do que antes, com o cartão crescendo outra vez. A bola de neve recomeçou, agora com 36 parcelas por trás.

Exemplo: plano para R$ 20 mil em dívidas

Volte à lista do Marcos. Ele congela o cartão, pede para reduzir o limite do cheque especial e corta gastos até conseguir R$ 450 a mais por mês. Passa a ter R$ 1.600 por mês para as dívidas, contra os R$ 1.150 de antes, e nenhum empréstimo novo.

Pela avalanche, a ordem é cartão (9%), cheque especial (7%), empréstimo pessoal (4%) e consignado (1,9%). Ele paga as parcelas de todas e coloca o resto no cartão. A simulação, mês a mês, mostra quando cada uma acaba:

DívidaSem plano (R$ 1.150)Avalanche (R$ 1.600)Bola de neve (R$ 1.600)
Cartão de créditonunca acabamês 8mês 11
Cheque especialmês 41mês 10mês 4
Empréstimo pessoalmês 24mês 14mês 14
Consignadomês 38mês 18mês 18
Juros totaissem fimR$ 7.457,10R$ 7.933,39
Taxas de premissa. No plano, a parcela de cada dívida quitada vai para a próxima da fila.

Sem plano, o cartão nunca acaba e arrasta o resto. Com R$ 450 a mais por mês e uma ordem definida, o Marcos sai de todas as dívidas em 18 meses, pagando R$ 27.457,10 no total. A bola de neve chegaria ao mesmo mês com R$ 476,29 a mais de juros, mas quitaria o cheque especial já no quarto mês. Qualquer um dos dois é muito melhor do que continuar como está.

Se aparecer dinheiro de uma vez, como restituição ou décimo terceiro, ele vai para a dívida da vez e encurta o plano. A conta de usar o 13º para quitar dívida mostra quanto isso economiza.

Um plano de 18 meses só funciona se for acompanhado. No Rikezas, você cadastra cada dívida com saldo, taxa e parcela. O app marca a dívida cuja parcela não cobre os juros, mostra a ordem de pagamento e, todo mês, quanto o saldo total caiu. Ver o número descer é o que mantém o plano de pé nos meses em que nada parece mudar.

Perguntas frequentes

Como sair da bola de neve das dívidas?

Liste todas as dívidas com saldo, taxa e parcela, e pare de criar dívida nova. Resolva primeiro a que cresce sozinha e coloque todo o dinheiro extra em uma dívida de cada vez. Quando ela acabar, some a parcela dela ao pagamento da próxima.

Como juntar todas as dívidas em uma só?

É pegar um crédito novo e usar o dinheiro para quitar as outras. Só compensa se o custo efetivo total for menor que o das dívidas atuais, se o prazo não se esticar e se o cartão ficar guardado. Com prazo longo, a parcela cai, mas os juros totais sobem.

Estou devendo 20 mil. O que fazer?

Comece pela lista: saldo, taxa e quanto paga em cada dívida. Veja quanto do pagamento vai para juros e se alguma dívida cresce mesmo paga. Com um valor fixo por mês e uma ordem de pagamento, o exemplo deste artigo zera R$ 20 mil em 18 meses.

Como sair das dívidas rapidamente?

Aumentando o valor mensal destinado a elas e concentrando o extra na dívida mais cara. Cortes temporários de gastos e dinheiro que chega de uma vez, como o 13º, encurtam o prazo. O que não acelera é trocar a dívida por outra mais longa.

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